Vista aérea da praça de Antônio CarlosINTRODUÇÃO

Localizado na Região da Grande Florianópolis, distante 33 km da Capital do Estado, o município de Antônio Carlos foi fundado através da Lei Estadual nº 928, de 06 de novembro de 1963, tendo sido instalado no dia 23 de Novembro do mesmo ano. Seu nome foi em homenagem ao político e Estadista Antônio Carlos Ribeiro de Andrada (1870-1946), natural de Barbacena, Minas Gerais, figura atuante na política brasileira durante a revolução de 1930.

Antônio Carlos, antigo distrito de Biguaçú, iniciou sua colonização em 1830, através dos imigrantes alemães originários de Hunsrück – Estado alemão da Renânia, Palatinado. Constitui-se de uma extensão física do povoamento da colônia de São Pedro de Alcântara, primeiro núcleo de colonização alemã em Santa Catarina (1829). Os descendentes de imigrantes que se estabeleceram no Alto-Biguaçu, construíram ao longo do século XX, um patrimônio cultural bastante expressivo.

“Penetrando nas valadas do Rachadel, Santa Maria, Louro, Braço do Norte, Farias, por toda a parte o turista fica vislumbrado com as casas amplas e confortáveis dos colonos”. Assim Raulino Reitz se refere ao Patrimônio Cultural de Antônio Carlos. O padrão arquitetônico do município é sem dúvida uma das características mais marcantes da colonização alemã no município. As casas de alvenaria possuem estilo próprio com forte influência luso-brasileira, no qual foram utilizados materiais de construção disponíveis na região, diferentes daqueles existentes na Alemanha.

IMIGRAÇÃO E COLONIZAÇÃO

Ao emigrarem para o Brasil, no início do século XIX, os habitantes de Hunsrick trouxeram consigo a esperança de se tornarem colonos. Deixaram para trás seu mundo em busca de outro onde iriam exercer a capacidade de lavrar a própria terra. Originários de uma região conhecida como produtora de uvas e cereais, situada no triângulo montanhoso formado pelos rios Reno e Mosela, na época subordinado ao Reino da Prússia, tiveram que se adaptar as técnicas e produtos da agricultura tropical. O contato com os índios que habitavam a região, apesar de hostil lhes permitiu incorporar suas “receitas de plantar e cozer e, por extensão, os seus expedientes rústicos, logo indispensáveis de sobrevivência”. O colonizador tirou o máximo de proveito na sua relação com os índios e os açorianos que povoaram o litoral de Santa Catarina. Os engenhos de farinha de mandioca , existentes ainda hoje no município, são um exemplo dessa relação. A mandioca era cultivada pelos índios, que preparavam a massa assada sobre um placa de cerâmica, resultando numa espécie de pão, conhecido por beijú. Além do beijú, retiravam da mandioca o cauim, espécie de bebida preparada com a mandioca cozida e fermentada. Os açorianos que se estabeleceram no litoral catarinense já no século XVIII, desenvolveram o cultivo e a fabricação da farinha de mandioca, que chegou a ser um dos principais produtos de exportação para todo o litoral brasileiro. Além da farinha se produzia o polvilho com o qual se prepara roscas e broas. Os colonos alemães fazem até hoje o pirão escaldado em água fervente, a farinha pode ser transformada em beijú, cuscus e farofa.

Aos poucos os colonos foram se estabelecendo às margens dos rios, principalmente do rio Biguaçu, que permitia a navegação, e durante muito tempo foi o principal meio de transporte de mercadorias produzidas na região. Na maioria das vezes eram os donos de Armazéns que compravam a produção dos colonos e levavam até Biguaçu e Florianópolis para vender. Eram os intermediários, que com o que recebiam compravam outras mercadorias para abastecer seus armazéns, como o sal. Alguns colonos iam de carro de boi ou carroça até Biguaçu levando açúcar grosso, farinha de mandioca, milho, feijão e café em grãos. Com o tempo os carros de boi e carroças foram sendo substituídos por veículos motorizados, especialmente caminhões. Em 1985 com a inauguração do asfaltamento da Rodovia SC 408 que liga Antônio Carlos a Biguaçu, ficou mais fácil para os colonos comercializarem seus produtos.

Cascata Alto Rio FariasA natureza foi pródiga em Antônio Carlos, dotando o município de várias cachoeiras e quedas d'água , em rios que descem as montanhas em meio à exuberante mata Atlântica. Conhecida atualmente como a terra dos Verdes Vales e da Hortaliça, Antônio Carlos ocupa destaque como o maior produtor de Hortigrangeiros da Grande Florianópolis.

PATRIMÔNIO HISTÓRICO - CULTURAL

MONUMENTOS
Antônio Carlos possui um contato antigo e contínuo com Florianópolis e região. Aos poucos a influência desse contato e dos meios de comunicação, vão descaracterizando certos elementos ou mesmo substituindo antigas construções por outras mais modernas - como é o caso de igrejas belíssimas que foram trocadas por edifícios mais simples e modernos. Apesar disso, ainda mantém características marcantes da colonização do imigrante alemão, principalmente na zona rural. Junto a alguns valores culturais que ainda permanecem no município, tais como a religião, pratos típicos ou o dialeto (no interior), encontramos ao percorrer suas localidades, edifícios isolados que marcam sua história.

Casa construída por Antônio Scherer - 1912

Alguns desses edifícios apresentam bom aspecto de conservação, modificados um pouco de acordo com a necessidade, mas que permitem ainda, uma identificação com a cultura luso-brasileira. Há no município somente uma casa que foi preservada e restaurada, construída por Antônio Scherer, em Santa Maria. Atualmente se encontra em construção uma igreja no Rachadel baseada na que foi demolida na década de 70.

O turista que se aventure a percorrer nosso município fica deslumbrado com as casas antigas que encontra ao longo do caminho. Seguindo do centro do município, pela estrada que leva ao distrito de Santa Maria, encontramos algumas casas antigas. No meio do caminho, há uma que se destaca pela sua especificidade. Trata-se de uma casa residencial e comercial, construída em 1907, por Zé português (assim era conhecido), edifício de relevante interesse arquitetônico, considerado um dos mais belos encontrado hoje, em todo o município.

Se for um pouco curioso acaba descobrindo atrás de uma porteira algum Engenho de Farinha, movido a água ou, que apesar de movido a eletricidade, ainda mantém um roda d’água.

Se tiver fôlego para subir o morro da igreja de Santa Maria ou Rachadel conhecerá um pouco da nossa religião. Os cemitérios mais antigos são os da Capela do Louro (1838), Rachadel (1882) e Santa Maria (1898). São verdadeiros monumentos que contam através do tempo, muito da nossa história. Desde as inscrições em alemão, o modo de enterrar os mortos – com os olhos voltados para a igreja, até as várias tecnologias e materiais utilizados na construção das cruzes e lápides.

Esses monumentos representam a nossa identidade cultural. São antigas tradições, como a construção de lindas e confortáveis residências, engenhos e outros bens culturais que nos identificam. O objetivo de preservar está ligado a manutenção da nossa identidade e através dela nossa história, nosso modo de vida, já que nós temos coisas que são só nossas, de mais ninguém. São nossos pontos de referência, são as nossas memórias.

PATRIMÔNIO VIVO
O Patrimônio Cultural de Antônio Carlos não se resume aos monumentos representativos da sua memória. Existem outras formas de expressão cultural que constituem o patrimônio vivo como a culinária e as festas: religiosas, do colono, da hortaliça e da cachaça, que revelam a cultura viva e presente de cada comunidade.

 

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